sábado, 24 de fevereiro de 2018

We’ll Meet Again - Vera Lynn (“Dr. Strangelove”)



Até sempre, meu príncipe das madrugadas....

quinta-feira, 5 de julho de 2007

*

vi-te anteontem. finalmente conheci as linhas do teu rosto. foi estranho. seria sempre estranha a materialização de uma imagem sem face. não te imaginava assim. tinhas-me dito que eras um puto. e eu acreditei... eu acredito sempre... e rio-me.
sabes também se riram quando eu disse que achavas que eu era demasiado séria...
rio-me : como estavamos enganados, meu querido.
estavamos?

reparei nas tuas mãos e apeteceu-me conhecê-las de perto...

não voltarás aqui, pois não, amor?!...

-------------------

the story of my life...
once again... and again...

domingo, 1 de julho de 2007

1.7.

ontem, meu amor, ontem senti-me zangada com o mundo
tão zangada
(senti-me tu : senti-te como nunca : senti-me só)
zangada : acelerando : música alta
se o mundo aparecesse todo, condensado à minha frente : inútil e mau : tinha espetado o carro contra ele. esmagava o acelerador e matava-o : acabava
acabava com a dor que sentia
e finalmente não me fazia chorar.
se o mundo aparecesse - como me aparece - ali nu, todo desamor
e eu ali nua, amor, meu amor,
e eu ali nua e raiva e
no ruído abafando, tapando, tapando, tapando até quase explodir
como desejei a explosão a destruição o fim

e no fundo era tão simples - é tão simples, não é amor? -
acabar com a dor
quando só se quer
respirar
amor

sábado, 30 de junho de 2007

*

lembras-te amor quando eu fui à praia
e na praia, na areia quase a mergulhar no mar senti a tua falta
a tua falta ali a meu lado, e a tua mão na minha, e a minha mão na tua.
e nós entrando no mar, de mãos dadas, beijando
as águas
como se fosse a tua boca.

amanhã vou ver o mar, meu amor.
amanhã.

e onde te encontrarei? virás com outra estrela
com aquela estrela que uma noite
- a nossa primeira noite - juntos -
lembras-te amor? - foi nossa
uma estrela que já foi cadente
e
nessa noite nasceu flor
ou

amor

domingo, 24 de junho de 2007

*

meu querido r.

tantas coisas te escrevi(?), te falei, ao longo deste mês de silêncio. esqueci-te e lembrei-te. li-te e reli-me. cheguei a enganar-me ao dizer um nome parecido com o teu, dizendo (finalmente) o teu.
e apenas tenho estado ao lado, a teu lado. (não, não fui… embora. tu sabes)
e eu a teu lado e deixaste de me ver(?) de me querer ver(?)
somos os dois ‘tonhos’ que não vamos atrás de ninguém? e assim ficamos?
ou finalmente a tua vida desembrulhou-se… e és feliz…(branco ou negro…)
do que sinto por ti, meu amor, conforta-me esta possibilidade… de te saber a sorrir, esquecendo as zangas com a vida.

sabes, amor, a gente quando cresce aprende que não é capaz de mudar ninguém, nem fazer com que nos olhem, muito menos que nos amem como nós amamos…
a gente quando cresce… pensa… e por mais que não queira, às vezes sente feridas antigas… ou apenas o amor que nunca teve…
e dá um passo ao lado… deixando a dor voar como se não existisse. inventando alegrias para se distrair. ou somente para conseguir continuar a amar em liberdade.

tenho tido saudades tuas amor
e quando são muitas, imensas, inspiro-as, e ponho-as num qualquer canto meu, não sei se do corpo ou da alma. como este canto nosso, que por vezes evito. não é preciso dizer-te porquê, pois não…

nem sei se virás mais algum dia aqui…
e o que é que eu faço com as nossas bagas, meu príncipe das madrugadas?

como-as, mas elas nascem uma e outra vez…
com(o) os beijos (na boca) que me ofereceste
como aroma leve do teu sabor – nunca experimentado

e neste silêncio às vezes ouço em eco as tuas gargalhadas e quero-te.

estás a ver, amor meu, não sei ser de outra maneira…

(já te disse das saudades?)

deixo-te aqui um beijo, meu amor de uma primavera…
quere-lo?

sábado, 19 de maio de 2007

if

If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will
If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
If it be your will
If there is a choice
Let the rivers fill
Let the hills rejoice
Let your mercy spill
On all these burning hearts in hell
If it be your will
To make us well
And draw us near
And bind us tight
All your children here
In their rags of light
In our rags of light
All dressed to kill
And end this night
If it be your will
If it be your will.

http://www.youtube.com/watch?v=AEzRXjg1rYE

http://www.youtube.com/watch?v=1MDlMdu2gjw

sexta-feira, 18 de maio de 2007

*

"És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
..."

ontem depois de falarmos lembrei-me desta frase-poema quando pensei em ti, amor. hoje ... também... surge assim sem mais... tu. sem qualquer juízo de valor... melhor? o que é ser melhor? o que é acharmo-nos melhores ou não tão 'melhores' do que achamos que poderíamos ser? isso torna-nos piores? ou pelo contrário, melhores? melhores ou piores, por o saberemos, por o sentirmos? e o que fazemos com essa consciência? com essa lucidez? ... talvez muito, talvez nada... talvez consigamos apenas... Ser!


"...
Graça do corpo nu
Que invisível se vê."*


vi o teu sim, o teu não, nus... vi, senti. e nada compreendo. compreendendo. entendes?
magoada?! zangada?! porque havia de o ficar? retirei-o por mim... por estar exposta. por ti, também, porque apesar de não compreender, sinto. sinto que... encontrei-te talvez(?) no meio de um sonho qualquer (teu). e tu encontraste-me no fim de um meu. eu sei que é preciso sonhar os sonhos até ao fim. não há culpas. não há intenções. não há mágoas, amor... momentos diferentes? timings... (?)
'vai à tua vida'... eu estou na minha vida, meu amor. e agora fazes parte dela. do meu sonho. não é uma prisão... é um facto. é um sentir. podemos deixar-nos ir... num sentido, ou no outro. está nas nossas mãos. ou nas tuas. ou nas minhas. nada é inevitável. a não ser que queiramos que seja. não gostaria que te sentisses 'mal'...
como se pode recomeçar a sonhar sentindo-nos mal?!
"este meu fascínio por ti... é porque"... não, eu não sei porque é. não creio que possa ser porque não te conhecer. eu sei que pode ser tudo, e portanto, isso também. mas então e o resto? o resto que de ti senti?
há a "barreira"-corpo... a minha. a tua. há! (a minha insegurança...face... às tuas expectativas...) e as minhas expectativas? eu vi o teu 'outro lado'... sem contexto, claro, mas senti. fragmentos de ti... não os reuno (se não costumo reuni-los com quem con-vivo no dia-a-dia, porque faria contigo?)... não os reuno porque sei que os outros são diferentes de tudo o que possa sentir... que são 'iguais' a como os sinto.
não posso apenas 'receber'? não estou dizendo, receber-te (só se quiseres dar). uma das coisas que tenho aprendido um pouco é receber apenas o que o 'mundo' me dá... (aprendizagem difícil, nem sempre bem sucedida) o que o meu olhar consegue ver e nada mais (o pensamento perturba, torna artificial o que é puro)... não há mágoas... apenas há.
posso chorar, posso amar, posso ficar momentaneamente magoada (ou antes, sentir-me ferida)...
mas chorei, ri, amei... é o que importa.
não ser amada? importa? importa para nós mesmos? (hoje não falarei disso...)... ou talvez seja esse o fulcro(?)... de ti... de mim... (não de nós, meu amor... não ainda, não jamais... de nós. não nos façamos isso)

vejo que estás online... poderia estar horas... contigo aqui... vou ter contigo, amor.


*F. Pessoa... é o que dá ele ser universal... :-)

terça-feira, 15 de maio de 2007

" "

O tempo passa mas eu espero por ti.
Lao Tse

quarta-feira, 9 de maio de 2007

" "

Passeámos a noite inteira entre sândalos disseste-me
que eram sândalos e eu acreditei toda a noite
que passeámos entre sândalos naquela noite de março
na noite em que passeámos sem nos olharmos
num bosque de sândalos num mar de sargaços
disse-te eu imerso na noite em que não acreditava
quando acordaste e eu acordei a teu lado
sem noite sem sândalos sem mar em que acreditar
apenas a justa medida de um olhar no lado sombrio
do teu corpo desperto que sonhou no tom adequado
sobre um chão de terra virgem acabado de semear.

Carlos Alberto Machado
A Realidade Inclinada
Averno, 2003

terça-feira, 8 de maio de 2007

*

às vezes parece que te amo
às vezes parece que pego na tua mão

a tua mão

e vejo linhas
e percorro-as
lentamente
uma
outra
infindáveis

as tuas linhas, meu amor
toco
levemente
a palma da tua mão
percorro-as
uma
outra
cada uma. todas. tu, amor.
e elas riem. e elas choram. e elas amam.

depondo um beijo na tua palma da mão.

*

as tuas mãos
de que são feitas as tuas mãos, amor?

segunda-feira, 7 de maio de 2007

*

a [(in?) tranquila] materialização do... amor...

domingo, 6 de maio de 2007

*

já não fujo, meu amor.
já não fujo de mim. caminho. e amo. como sempre amei. como nunca amei.
caminho e amo as pedras. e as pequenas flores desta passagem.
caminho e não sei o destino. que importa?, se ninguém o sabe...
caminho... não! faço o caminho neste manto de estradas.

e a espera, amor? espero-te? sim, espero-te. não, não me espero.
espero-te como se respirasse

espero-te neste meu caminho
- na nossa encruzillhada -
esperas-me(!?, amor) nesse teu caminho


espero, meu amor...
e.
respiro.
.nos

*

bom dia, meu amor
bom dia, meu sonho de um dia de sol

*

era noite.
era mar e praia.
era escuro sob um mar de pequenas luzes.
no céu, uma estrela cadente
silenciei-me para a olhar
como se te olhasse
desejo?
- se vieste para me dar um beijo de estrela -

na noite, vi-te
e por momentos, alcancei-te, meu amor.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

*

Boa-noite, meu amor
deixo-te com as nossas bagas... com a noite...

*

"não sei quem és... só o que sentes...."
uma frase, tua
uma lágrima, minha...

se soubesses...
se tu soubesses o quanto quis que alguma vez o meu amor me tivesse dito isso
que o meu amor me dissesse:
"não sei quem és... só o que sentes...."

se o meu amor me dissesse
"não sei quem és... só o que sentes..."

sentiria que ele tinha entrado em mim

e finalmente... alguém me... encontrou

*

invadiu-me a tristeza. ou o cansaço e a tristeza, meu amor.
li as tuas palavras. senti-as desalento e cansaço.
eu vinha como asas, como estrelas que brilham

eu vinha
acreditando que tudo era possível
acreditando-nos
acreditando que todo este impossível que temos vivido
sentido
era possível

hoje amor eu imaginava que era nossa a noite
- esquecida do cansaço e da noite mal dormida, a sonhar-te -
hoje o dia todo sonhei
o nosso encontro
as palavras que não te diria
porque não havia palavras
esquecidas do seu sentido
nele, apenas eu e tu
etu : eu tara-amor tu
etu: outra forma de escrever... nós

hoje, amor...
e neste agora?

sonho ou pesadelo?

quinta-feira, 3 de maio de 2007

:

tanta coisa tenho para te dizer, meu amor.
meu amor é sim teu nome, sem o seres (ainda?)
e tanto te falei... hoje, ontem...
sabes amor? tenho sentido o meu corpo despertar lentamente. estranho-o. estranho, num quase absurdo de ele se inquietar às palavras. às tuas. como se elas me percorressem. não apenas dos meus olhos até... não, aqui e ali, elas percorrem-me. toda. e ao escrever isto, sinto-me corar. por uma certa timidez que me acompanha. por uma espécie de sedução. sedução - minha - pelo meu próprio sentir, sedução por ti. não julgues amor que faço aqueles jogos vãos. o jogo é da verdade. amar é também seduzir. ser seduzida. porque há entrega. e querer. e desejo.
estavas certo, amor. eu aqui é que estou nua.
estavas certo, amor. quando disseste Tara amor.
só aqui sei ser amor. absoluto. arrebatado. uma espécie de corpo e alma. unidas.
uma espécie de parte que se oculta de tudo... de quase tudo.
um lugar onde nua, amo.
como quem respira.

e lá fora, amor?
lá fora, levo Tara comigo, como um coração que bate sempre. só entre-visível.
não porque não haja amor. mas porque este amor é diferente.
é amor.
entendes?
sentes? sentes-me, amor?
sinto um tremer interior ao escrever isto. saber que vais ler... e...
e o desejo...
e o que é o amor senão desejo de sermos descobertos, contemplados em todos os nossos recantos. o desejo de irmos descobrindo recantos do nosso amado? um desejo de reconhecimento... tu em mim... eu em ti... reconhecimento, não identidade.
e por vezes, tu és eu e eu tu. e eu amo-te.
e outras. tu és tu. e eu amo-te.
é tão fácil. tão simples, não é amor?
não, não penses. eu também pus aqueles pensamentos todos de lado.
sinto.
o desejo de amor é também o amor.
o amor da necessidade de revelação.
o amor do desejo de confidência.
de se ser tudo... o que se dá, visível ... o que se oculta sob véus. leves.


e nesta ânsia de entrega, o abismo.
a atracção de um precipício... o desejo e o medo, meu amor.

o medo de nos darmos... despidos.
de me dar despida.
e de tu não poderes amar/entender/sentir este etéreo corpo de Tara. aqueloutro corpo de L.
este meu corpo. todo. eu e eu e...

e também eu tenho medo... de não poder amar este teu corpo, R.
e o outro de H. e todo tu.
e no entanto, que boba, sinto-o. por ti. e por aquele tu, mais... extrovertido(?)... e por ti, todo(?) saberia?
sinto-o agora. em mim. tão profundamente que as minhas faces estão quentes. e o meu coração bate intranquilo.
sinto-o tanto. neste dar-me. a ti.

não foram só 6 os posts que escrevi por ti. aqui.
perguntaste duas vezes sim. e eu respondi-te. logo, meu amor... a cumplicidade...
mesmo Sabendo-nos... é por vezes tão difícil ler nas entrelinhas... mesmo nas nossas próprias...

também eu não sei o quê, amor. mas sei que quero...(-te?)

terça-feira, 1 de maio de 2007

«silvestre»

vou dormir
sei muito pouco...sobre tudo....nem de mim sei...
procuro

dá vontade de rir ... a vida , o destino
as conversas(…) ...são mágicas [:] vale tudo... até ser sincero
de uma forma arrebatadora... gost[o] da chuva na cara , de correr de mãos dadas para fugir às tempestades
durante tantas madrugadas

Diga-me Tara , conhece-me? [estava à sua espera]
ainda não despertei

não resisti a re-experimentar o sabor
Tenho pouco tempo ... - vou encontrar-te
dorme, o que tenho para dizer pode esperar. nada mais faço do que esperar, sei do que falo
já te tinha dito. - sim, tu não ouviste. eu sei. sei o exacto, (poucas vezes poderei afirmar isto) momento
foi lindo. acho que só ... contigo, te poderia explicar.... sei que tu sabes. e? e?
Sinceridade, a saber a "campo". com espinhos, diferentes

[sinto a tua inquietação. sentes a minha?
somos silêncio... gestos, olhares, mãos e rostos...]

gostava de dizer-te,
espera, também vou.
espera, deixa-me ver o rio, pelos teus olhos.
- deixa-me ouvir (gosto tanto de ouvir) o pulsar do rio no teu peito.
diz-lhe que sentirei para sempre a sua falta. estou a sentir. não devo sair. não posso sair(?). agora. vais ao rio?
eu preciso de continuar, a sonhar?! - amor.

penso sempre que o melhor (…) foi o que não leste
Não quero saber mais...
lembro-me. para sempre.
já te disse que gostei?

li a palavra mar..., sim. quero. leva-me para o mar. afoga-me. enche-me de areia. (…) vamos, deixa o rio anda , vamos ver o mar

sobre o que sinto, sei. sei que não quero sentir. quero paz.para mim... e como dizes no teu (mais meu, eu gosto tanto)... e respiro. junto ao mar... o ar é fresco os corpos arrefecem, ... a noite esquece-nos.(?) - queria estar na praia... percebeste. não? - não faz mal. beijo em troca da TUA rosa.
estava frio nas margens do Tejo? compreendes?(!), tenho fome.
[eu queria dar-me aos teus olhos... a ti... ]

Achas que digo pouco?- que sinto pouco?
somos tudo
Verdade: Não, não quero sentir medo.
o caos (…) um agradável passeio no sentido de aquilo que desejas
só quero estar
[queria pousar as minhas duas mãos no teu rosto ][escuta, amor, o silêncio... ]
dizxx mais do que eu gostaria. - tão diferente(?) do que tu imaginas.
dá-me tempo

Ao ler-te (…) sentia-me. intensamente. muitas vezes. amiga-amor,
sentimos da mesma forma. e? sinto-te. Não corro, não luto, estou cansado. Amei-te ( sim a ti desconhecida... sim , de forma egoísta, a mim em ti)
Gostava que ficasses
gosto-te aqui.
[é querer sentir-te mais e mais... (…) também eu quero paz, amor]

eu não pergunto.
pára
quero ficar no meu canto. aqui. seguro. que idiota
não quero nada.
quero estar no espaço.

o acto não significa nada.

Dorme bem, minha Tara. por momentos, pensei...

R.

domingo, 29 de abril de 2007

. 50 .

a última baga

adeus, meu amor.

hoje senti amor por ti
por ti, de que só sei o nome

senti que te poderia amar

amar-Te

senti que se tu me chamasses
- se me tivesses chamado, meu amor -
hoje teria ido ter contigo

adeus, amor meu
eu não sei amar só à noite
eu não sei amar de acordo com os ponteiros dos relógios
ou com outras quaisquer convenções.
eu só sei amar, amor.
sim, encontraste a palavra: arrebatadoramente

se eu tivesse ouvido a tua voz
sentido os teus braços
se...

se tivesses feito rir o meu coração
- como gostava de ter a minha mão no teu rosto
desvendá-lo
des-vendar-te
os teus olhos, a tua boca,
desvendar-te

por instantes acreditei... confiei...

vês?, custa-me deixar-te...
gosto-te, já te gosto tanto
e no entanto... se assim não fosse... poderíamos ser felizes? amar-nos?
o que poderíamos dar-nos?

não importa, meu amor
esta é a última baga...

a última das bagas que, depois de a beberes, se evolará...
dói-me o peito e o corpo, acredita...

obrigada por teres vindo
adeus, meu amor

?

e os sonhos...
onde estão os teus sonhos, amigo-amor?

}{

quis dançar contigo, meu amor. quero.
quando ouvi a música que me deste, senti vontade de te pegar na mão e dançar
dançarmos
dançarmo-nos

na praia
nas águas
nas águas feitas para amar


esperei-te. também eu te espero, meu amor.
não para nos afogarmos. não para sermos areia.

podemos apenas voar?!
conseguiremos, meu amor, voar sobre as águas?

sexta-feira, 27 de abril de 2007

}{

talvez seja assim, meu amor.
talvez não possamos amar da mesma maneira quando há um corpo.
quando há uma voz.
quando só nós existimos, a dúvida, o medo são tão diferentes.
sabemos tão bem das espadas que há tanto manejamos e a qualquer momento os diluirão.

e das rosas? aquelas que trocamos?

o medo. o medo? tens medo, amor?

eu? como não poderia deixar de ter? mas também, como não poderia deixar de o ollhar? e dizer-lhe: és o meu medo... és apenas o meu medo. e tu, meu medo, tornas-te pequenino. pequenino. e eu dou-te a mão e levo-te para o mar.
e lá, enquanto espero que as vagas te levem, longe, reencontro-te meu amor.
tu, que também fizeste uma bola de areia e medos e a arremessaste às águas.
e nós, meu amor, nesta grande praia...

quinta-feira, 26 de abril de 2007

§

"Promete-me amor que hás-de ser meu para sempre amor. E que se alguma vez deixares de pertencer-me como agora, nem mesmo assim se perderá aquilo que aqui estamos vivendo. Prometes?- Como posso eu esquecer-te amor, se tu és afinal a minha infância?"



serás meu sim, para sempre. o amor foi meu, mais do que incorporá-lo, fui eu. sou. é a unica coisa de que tenho efémera posse. eu. um ser de não-ter. tudo o que sinto, sinto-o nas minhas veias, no coração acelerado ou tranquilo, na pele. na minha pele, fronteira. entre mim e outro eu que é o mundo que cheiro e beijo e toco. e engulo. e respiro.
como se perde o passado? o passado não é um molho de chaves. talvez até tenha havido uma série de chaves com que nós mesmos abrimos - ou fechámos - as nossas próprias portas. o passado não é um guarda-chuva para se perder. muito menos o é para nos proteger. anda, vem dançar à chuva. sentir mais uma vez a água escorrendo pelo rosto. pura ou dura, que importa? é chuva - ou lágrima-. é água. é vida. como um dia na infância. em que todos os sonhos eram possíveis. todas os esconderijos de pedra eram casas, e as nuvens, rostos e paisagens. e em cima das árvores estávamos, como se não houvesse mais nada, nem outros tempos ou outros lugares. como na infância, em que se existia sem as questões do existir. esquecidos de nos lembrarmos.

"Não pense, amor, que me deixou velha, amarga, voltada na direcção das portas que não se abrem agora sobre o infinito. Se quer saber, também não envenenou a minha alegria. A sua partida deixou em mim intactos o saber e o sabor dos frutos.
Consigo aprendi que viver é seguir o curso dos rios, acreditar na loucura dessa viagem, descobrir mesmo a poesia que pode haver nos impossíveis barcos. (...) Porém, não de todo exausta, ao contrário de muitas dessas mulheres que um dia foram ofendidas pelo homem. Sabe? Sobra-me ainda o sétimo fôlego da gatinha parda e de olhos cinzentos que renasce ao pé do lume. De novo no meu tempo, no tempo que volta a pertencer-me, estou pronta (...). Receberei pois a minha pomba.
"


de "Gente Feliz com Lágrimas", de João de Melo

terça-feira, 24 de abril de 2007

( )

isto não é um blog.
é um canto da minha alma.
tantas vezes claro. hoje escuro. muito escuro. hoje não amo. não sinto amor. apenas raiva. mágoa. com lágrimas. podia com um clique apagar isto tudo. dói ver-me amor e sentir toda a indiferença do amor. nem posso dizer que é por um homem. como posso amar um homem que sinto indigno de mim... indigno. merdoso. como todos aqueles que tive. sim, quase nada valiam. e sei que a responsabilidade é minha. escolhi-os assim como eles que me quiseram para eles. posse. pura posse. amor vs. posse. ou então, o medo. escolhia-os e eles tinham medo. li que os homens têm medo das mulheres bonitas. de mim têm! não julgue que me acho muito bonita - às vezes sinto-me sim - outras vezes, só sou porque vejo nos olhos e na boca dos outros que me acham assim. outras nem me vejo, nem vejo o que os outros vêem. não, não me linke, Rui. não gosto do outro nome, desculpe. quero ficar só. ficar só como estou só. aqui no meu canto que não é de modo algum um blog. blog é outra coisa. sei do que falo. obrigada por estar aí. não quero falar para audiências. só para alguém que escuta. se não for o caso, não faz mal, é só tirar-me dos favoritos. desaparecer no éter. hoje nem me acho especial, não acho nada nem ninguém especial. não é achar, é antes não poder achar. toda a gente está na sua conchinha. nos seus medos e nas suas conquistas e posses. absurdas. talvez fosse eu quem quisesse desaparecer não no éter... ainda encontrava alguém conhecido... até mesmo seu, agora que sei onde trabalha.
desaparecer mesmo... custa muito. custa sim, a solidão. poça! custa mesmo. ainda no domingo falava com alguém e sentia ou dizia a benção que era a solidão. e volto a dizê-lo, se o contrário é viver com homens merdosos. acham-se grandes e são mesquinhos, ou então, acham-se pequenos demais para mim e fogem. e o meu defeito é amar demais. ou querer ser amada.
e quando alguém se chega ao pé de mim, eu amo. nem é sempre com amor romântico, pode ser 'apenas' amor humano. e depois... isto é complexo demais para escrever aqui. e depois ou querem prender ou batem em rápida retirada... burros, sem compreender nada. nem falo do corpo. o meu corpo. se sinto carência? sinto-o às vezes. como não? como sinto que essa carência me podia atraiçoar uma e outra vez. e depois quem se queria afastar seria eu, mas não gosto de magoar.
faz bem o desabafo. liberta. se o resto é uma face, esta é a minha outra.
às vezes tenho pena dos meses estarem passando, e os anos... e... nem quero olhar para muito do meu passado. por isso me agarro a este pequeno presente, a que tenho chamado amor. qual amor? um mito! um sonho que não passa disso mesmo. algo para quem não consegue viver sem amar, nem que seja uma pedra. algo para quem não consegue viver sem sorrir. e sorrio ao sol e à lua... a si.
diabos!! viver é difícil. devia conseguir gritar até ouvir o eco do meu grito. e no entanto, só consigo estar aqui a escrever para alguém que não faço ideia quem seja. seria quase insane, se todo este mundo já não o fosse.
tem sido uma noite má... só isso. obrigada por vir aqui. não sei porque vem. mas gosto.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

# 44

andei longe, meu amor
contudo, não fui longe. o que é que uma pessoa pode fazer estando viva? viver. viver e amar. por vezes pergunto-me: esse meu amor por tantas outras coisas e pessoas e mundo impedem-me de te amar menos? não sabendo quem és, resta-me amar-te em todos os olhares, em todas as mãos que dou, em todos os sorrisos que esboço e ninguém acolhe.

andei longe, meu amor
nunca soube quem eras. não sei quem és.
e
amo-te
meu amor

quinta-feira, 12 de abril de 2007

# 43

as minhas noites são agora claras. ouço o que tu já ouviste dezenas de vezes e que um dia disseste amar. também eu agora amo e ao amar amo-te ainda mais. és tu a minha cor... branco, como a música de traço azul. ouço o que ouves. como se fosse a tua voz.
abri de novo a janela. e se do lado de lá da praça ainda nada vejo, ao mantê-la aberta podes por aqui passar e veres-me esperando-te, sem te esperar. se um dia passares, saberás que estou onde sempre estive. ouvindo. ouvindo sons como os do mar que um dia te levou, meu amor.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

# 42

se ao menos eu soubesse...
soubesse que a tua travessia reveste-se tranquila
soubesse que a tua mão já não chora vazia
soubesse que o último raio solar te guia

se ao menos eu soubesse
que já não te doo
que vagamente me lembras como uma meiga recordação adolescente
que as tuas noites são límpidas e asas e teus dias correm verdes

se ao menos eu te soubesse meu amor
abria as grades do nosso amor para que ele voasse sobre as nossas cabeças sem espaço
sem hora
de voltar da sua volta ao mundo

se eu te soubesse amor
longe
aqui ficaria até a uma eternidade

sexta-feira, 6 de abril de 2007

# 41

eu volto sim meu amor. voltarei sempre. se tentar esquecer-te é ir. se aceitar o facto de não o conseguir é voltar. vou e venho. e no entanto estou. sempre. estás sempre em mim. que importa se já não consigo ver as tuas fotografias, ler as tuas cartas? não as vejo, não as leio. não te quero associar mais ao sofrimento, à dor da tua invisibilidade. àquele sentir de que podíamos ser... não foi um sonho meu. cada vez é-me mais evidente. a tua recusa tem a ver com... não sei bem, mas não é com o que sentes por mim. assim como a minha partida não teve a ver... ou antes teve tudo a ver com a paixão que sentia por ti. a paixão. a minha paixão por ti. (paixão de dor, paixão de desejo, de anseio). hoje ainda há paixão. diferente. já não há paixão-amor. há amor-paixão.
no outro dia ouvi-te. senti procurares-me. e eu fiquei quieta sem mexer um músculo que fosse. vi-te à minha procura. nesse dia precisaste de mim. tive de ficar imóvel. compreendes, não compreendes meu amor? tu sabes que eu iria, que eu vou quando tu me chamares, quando conseguires dizer-me algo mais belo que o silêncio, mesmo que mo digas sem pronunciares uma só palavra. não são precisas palavras entre nós. apenas a tua mão e a minha. nada mais, amor meu.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

# 40

será esta a última baga?

...visível...

pergunto. não isto. algo de mais essencial. pergunto-me.
do mundo
de ti
de Tu, meu amor
(quem dera de ti e Tu, a unidade) - oh desejo louco!
o
silente
sempre
segredo
?
e solidão?
a dor que não doendo dói, a tensão concentrada nas mãos, o corpo sem pele - ferida

a minha boca está seca. o cieiro cobre os meus lábios
eram os meus lábios as bagas silvestres?
gretados
do frio
da ausência, tua, amor meu

irei mais uma vez. irei?
queres?
às onze? às três?
(é importante, responde)

já não ouço. ouvi-me sim, muito. deixei de ouvir. para quê se somos o nosso som, o nosso silêncio, o nosso cântico?
já não somos palavras ou gestos ou passos
somos
amor

segunda-feira, 2 de abril de 2007

# 39

encruzilhada
tu --- eu --- ???

encruzilhada se houvesse caminhos
.
caminho e no entanto não sei onde estou

(menos ainda sei onde estás)

caminho nas asas do desejo sem anseio

tu (já nem sei dizer meu amor) e eu e alguém que me olha distante aproximando-se lentamente de mim
.
e tu que nos olhas em silêncio e nos lês (sim 'meu' único tu neste meu canto)
- que sentes disto tudo? -
.

FALA. MOSTRA-TE. DIZ-ME. Meu Amor, pela ÚLTIMA PRIMEIRA VEZ...
[será que não vês o abismo?! tão próximo tão próximo!! o abismo do afastamento]

sábado, 24 de março de 2007

# 38

já não me dóis. não me dóis hoje. já não sou ferida aberta. não és a minha ferida. aberta. não sei se és um órgão qualquer do meu corpo. que lateja sem que eu me aperceba.
como pode o amor viver na ausência do olhar? como, meu amor? responde-me, eu sei que tu o viveste. tenho a certeza, tanto quanto se pode ter a certeza que existes e que ao mesmo tempo és uma nuvem. a certeza de que um dia fui eu para ti, a dor. e deixei de o ser. como tu, agora para mim. contudo, nada disto apaga a nossa condenação. tu a mim. eu a ti. amor nosso invisível e eterno.
sinto-te nuvem. construção quase infantil. podia ter imaginado monstros e montes, braços e barcos, rostos e risos em eco. mas imaginei. te.
agora talvez corporizes estas minhas nuvens que chovem e choram, que envolvem e voltam. as minhas mãos pesadas que desenlaçam correntes de lágrimas. os pés plantados no chão de madeira. a curvatura de meu corpo sem saber se se une à terra, se levita. a dor física e real da entrega.
ouço as vozes, cânticos que me evolam. para lá para além, fica maria ana irmã. nossa irmão meu amor?

quinta-feira, 22 de março de 2007

# 37

não te penso, meu amor
ou lembro

és a minha sombra sem alguma vez que te veja ou pressinta



meu sangue

quantas vezes me manténs viva... amor...

domingo, 18 de março de 2007

# 36

as nossas últimas palavras...
o nosso último beijo de areia e mar...


amor

meu?


dá-me uma venda para não te ver.
dá-me o vazio para não te pensar.

e por fim arranca-me a pele, a boca:
amén!
(seja feita a TUA vontade...)


um destes dias será Páscoa!, meu amor

quarta-feira, 14 de março de 2007

# 35

ouço o meu nome. poderia ser beatriz de uma vita nova... ou
poderia ser a tua voz, meu amor. poderia ser a tua voz se me chamasses. se existisse.
não sei se eu, ou a tua voz.
ou o nosso desejo.
se existisse... meu amor.

domingo, 11 de março de 2007

# 34

tomo nas minhas mãos as tuas palavras. pego nelas como numa flor. sem lhes tocar, acaricio-as.
e um beijo - oh meu amor - torna-se lágrima

sexta-feira, 9 de março de 2007

# 33

não és a minha vida. não estás na minha vida.

apenas, meu amor...

és
me

. e
respiro.

quinta-feira, 8 de março de 2007

# 32

um dia houve em que me ofereceste túlipas.
túlipas como um quadro de Noronha da Costa.
túlipas
tuas, meu amor.

hoje. hoje, sinto-me névoa ou nada.
nada num aperto.

se te olhar hoje meu amor
se te olhasse agora...

fecho os olhos...

não quero a dor da tua ausência. não a quero, meu amor.
não te chamo.
vem!

sábado, 3 de março de 2007

# 31

meu amor, volto hoje para te escrever palavras que nunca te direi, cartas que não te enviarei. choro. o eclipse.
choro a sombra que tento afastar. a sombra de um fim em que não acredito. mas só posso acreditar. eu nada sei. o meu acreditar vem do amor. o meu descrédito de todos os gestos.
o meu amor morará num silêncio. ou num grito de silêncio como este que se prende na garganta, embacia os olhos, molha as mãos. vazias.
tento voltar a caminhar. é tão difícil caminhar sózinha. chegar e partir e ir e voltar sózinha. sempre só. sempre, sempre, sempre. sempre.
já olhei para outros homens, tento a aproximação, fugindo de seguida. não és tu. o que adiantaria estar com eles?! mais um erro na minha vida. ficarei só. ficarei só, amor? ficarei só com o amor por ti, meu amor?
calo-me para ti. não ouvirás nenhuma palavra sobre o meu amor. engolirei as palavras esperando que elas se dissolvam no meu corpo. não quero que me sufoquem. que tragam a mágoa do não amado. beberei as palavras até que um dia elas se tornem evaporação. nuvens que pairem sobre um mundo. melhor.
serão palavras. palavras desenhos ou vagos traços de ti. glóbulos.
serão silêncios. sons sem ecos. intervalos de pulsações.
sinto-me espectro de mim, de nós.
desalento
lento
tão lento, meu amor.

domingo, 21 de janeiro de 2007

# 30

estamos a sós. por fim. fim? não, meu amor. pensei-o. quase o desejei para pôr um ponto final nesta angústia que por vezes me assalta. estás silencioso.
.
.
.
.
olho-te. reparas que olho para ti. levantas-te e partes.
a força que me animava desfaz-se. precisava de ti esta noite, meu amor. só que estivesses aí. e eu aqui. sem nada mais...
nada mais...
nada...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

# 29

que faço eu aqui? com que falo hoje? hoje que as palavras são tão necessárias e não me ouvem.
tu ouvi-la-ás, não sei como mas sinto que me guias. como me vêm à memória todas as palavras que me disseste quando eu precisei de ti. chamava-te e vinhas, e eu contigo falava, falava, abria o meu coração, falava do meu amor, meu amor. contei-te coisas que nunca tinha contado a ninguém. e tu dizias que era linda. e eu acreditava. eu dizia que também eras. que eras. e nós acreditavamos porque era assim que nos sentíamos, era assim que nos víamos, eu a ti, tu a mim. ainda hoje. ainda hoje é como te vejo. e verei para sempre, minha baga, minha rosa vemelha.
foi paixão. tu o disseste. querias-me toda, só para ti, até sentires a saciedade. até te saciares, depois, depois podias ir, deixar-me, para mais tarde nos voltarmos a encontrar. lembro. lembro de tudo. da nossa dávida. do nosso amor. do encontro.
são tão difícil os encontros nesta vida. nesta vida tão efémera num mundo tão imenso. e nós encontramo-nos. e pudemos tudo. quase tudo. e é nesse tudo que eu penso quando te sinto. tão presente. tão em mim. e no entanto... é tempo de sonhares, vai, voa, com todo o meu amor, minha baga silvestre.

domingo, 14 de janeiro de 2007

# 28

e nesta madrugada...
esta madrugada fria, tão fria, meu amor...

# 27

era madrugada. eram madrugadas os nossos dias e as nossas noites. eram madrugadas e nós nem as víamos. eram madrugadas frias que pelo riso pelo choro pelo grito pelo amor se tornavam calor. eram madrugadas onde parava o relógio e desparareciam os traços do mapa das estradas e das constelações. eram madrugadas habitadas pelo mar de uma luz que nos inundavam. era... era, meu amor?
era... e esta madrugada?

sábado, 13 de janeiro de 2007

# 26

chama-me, meu amor.
chama-me pois já não encontro o caminho. os meus passos estão presos. as minhas mãos duras de tanto se abrirem. volteio e revolteio. estonteada. e de repente caio. caio num abismo presa apenas por um qualquer fio que me suspende à vida.
também eu percorro um corredor imenso labiríntico sem portas, com portas que se fecham, com portas que se emparedam. ou eu que me emparedo?
já fui pérola do teu colar e teu berço, teu cálice onde bebias sofregamente, eu sei. também eu te bebia. te chorava. me inundava de ti. já fui pérola, e conta, e bago de amora. já fui... onde estou eu, meu amor? quem sou eu, amor meu?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

# 25

respirávamos lado a lado. como não nos víssemos. como não exístissemos. como só existíssemos um para o outro. um no outro. respirávamos e existíamos. um no outro. fecho os olhos. não preciso de te ver. olho-te com o meu corpo. olho-te sem o meu corpo, ou cabeça, ou coração. olho-te, sinto-te através de algo que me transcende. não sei se estás aí. (mas) estás. estares é tudo. estarmos. respirando. agora, meu amor.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

# 24

estendo a minha mão em direcção a ti. ao teu rosto cabisbaixo. olho-te. se me olhasses agora vias os meus olhos. sinto-os ternura. ternura doce. ternura cor rosácea de bago de romã. ternura líquida de um sumo mel. mel como a cor da tua barba. fina. toco-a. acaricio-a tão ao de leve que mal a sentes. ou sentes, meu amor? não há desejo, apenas esse toque. percorro com o olhar esse pedaço de rosto. detendo-me em cada fio. e o meu olhar é uma carícia que ao mesmo tempo te beija. estás tão perto, tão perto de mim, meu amor. estás em mim, amor. aproximo a mão. a tua pele. macia. percorro a linha do teu rosto. a tua pele amor. na minha. a pele da mão a pele da tua face. a pele una. a minha mão toma o gesto do teu rosto. curvo. não sei se és tu que levantas a cabeça se é a minha mão que a ergue. são os nossos olhos que se encontram. somos nós, amor. nós.

domingo, 7 de janeiro de 2007

# 23

Boa-noite, meu amor.

# 22

2º motivo da rosa

Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...

Cecília Meireles, dedicado a Mário de Andrade


Se eu pudesse amar uma rosa, meu amor
se tu fosses essa flor,
iria ao jardim todos os dias
ver a chuva beijar-te
- e se não houvesse, levar-te-ia água e beijos -
sentada num daqueles bancos
amando-te
em pianissimo silêncio

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

# 21

estou cansada, meu amor. fisicamente cansada. mesmo eu que não sinto o meu corpo. já não tenho corpo. corpo de prazer. corpo de pele. corpo de desejo. só a minha cabeça tem corpo e desejos de cabeça que nada têm a ver com corpos. cansada sim, do trabalho, da falta de afecto, da falta de amor. já não te desejo. não sei nada do desejo. e não falo do frémito do olhar que faz ansiar o toque. digo do desejo de te ter perto de mim. estás tão longe. tão longe que não sei se te amei ou amei um desejo qualquer de amor. estou cansada de não rir. de ter de arranjar motivos para sorrir. sim, arranjo-os, para me manter à tona. eu nunca serei o que eu acho que tu gostarias. nem quero ser. apetece-me avacalhar. vulgarizar-me. não, quero mesmo é poder ser eu, seja lá o que isso for. nem que tu não - já? - me ames, quero conseguir ser eu. e sorrir. e rir, meu amor.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

o primeiro de outros dias

nada quero que me dês. nada que não venha do teu coração. sei que também não darias nada que dali não viesse. posso pedir-te uma coisa apenas? abre, abre a tua mão, deixa voar o teu coração. como um pássaro. é nosso o mundo, meu amor

dá-me

dá-me algo mais que silêncio ou doçura
algo que tenhas e não saibas
não quero dádivas raras
dá-me uma pedra

não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há muitas coisas mudas
ocultas no que se diz

dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
e se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!

carlos edmundo de ory
doze nós numa corda"
poemas mudados para português
por herberto helder
assírio & alvim1997

domingo, 31 de dezembro de 2006

# 19

pensei poemas. imaginei as mais belas obras de arte. para te oferecer, meu amor.
pus tudo de lado. e aqui estou, com as minhas mãos. cheias de coisa nenhuma. vazias de tudo, excepto de mãos. neste momento um pouco enrugadas da água quente. estão quentes, para te receber. se viesses. não te espero. espero, mas não te espero. espero apenas porque te amo. não espero, não, apenas estou. é véspera de um ano novo. como se isso importasse... é mais um dia que se acaba. será um dia que começa se sobreviver à noite. penso, se eu morresse como lerias estas cartas? nem há ninguém que te diga, que tas envie. e este canto morreria comigo. talvez, e sorrio por pensar nisso, alguém as visse e sentisse que lhes eram dirigidas. talvez seja. talvez estas sejam as mais comuns e universais cartas de amor. e talvez eu ame quem as ler um dia, porque amo agora. neste pedaço de branco.
talvez não seja eu que ame, mas que seja um fio de amor, um fio condutor do amor que (ainda) existe... que está em tudo.
a morte, o amor, uma qualquer eternidade, sentida enquanto haja uma qualquer consciência. enquanto haja uma qualquer respiração. um movimento.
anoitece, meu amor. e lá fora há o silêncio dos ruídos quotidianos. e cá dentro, o quotidiano silêncio. de tantas vozes. mesmo as do silêncio vazias, cheias. são múltiplas as vozes do silêncio. tantas as suas formas. em cada minuto, em cada segundo. e insistimos em rasgá-lo, em colá-lo. mas de nada adianta. quando ele existe, quando ele se impõe, só podemos escutá-lo. nada mais do que escutá-lo. e apenas uma pequena coisa podemos fazer. estar de mãos vazias para o receber. ou estar de mãos dadas, meu amor.

sábado, 30 de dezembro de 2006

# 18

E além de vós
Não desejo nada.

Hilda Hilst

desejo? desejo-te? hoje nada desejo. não desejo que me escrevas. não desejo que penses em mim. não desejo. não desejo um sorriso. não desejo nenhuma palavra. não desejo.
o que vier. o que não vier. meu amor, receberei com um sorriso.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

# 17

sinto-me só, amor.
de repente, uma solidão envolveu-me como me envolve o teu silêncio. tento não conjecturar, mas... é assim tão complicado responder ao amor? eu sei como é mais fácil não ripostar à raiva, àqueles que não nos querem bem. e ao amor?
há muitos anos era eu quem não sabia lidar com o amor (?) ou paixão ou interesse dos outros. hoje? hoje não sei. talvez num passado ainda recente, também não tenha sabido. não que o tenha rejeitado, como na adolescência, mas pelo contrário, aceitei-o, fiz desse interesse o meu. sim, quis ser amada. quis sentir o que era amada, e amar. e amei para ser amada? que erro. parece que toda a minha vida é um erro, erros sucessivos, e por isso estou errando pela vida.
por amor te quis, por amor te reneguei. por amor... que é este agora? só o meu sentir? o meu querer?
não acredito. por vezes. acredito, muitas vezes. acredito que fui para ti... e depois, terei sido? e hoje? e hoje, meu amor?
às vezes sinto-te tão estranho. às vezes, não, muitas vezes. quase sempre de uma estranheza boa, como se não fosses deste mundo. não és deste mundo. mas que sei eu? o que sabemos nós dos outros, mesmo vivendo com eles, partilhando a mesa, a cama, o dia-a-dia?! mesmo aqueles que nos geraram o que sabem de nós? os outros têm uma ideia tão deles sobre nós. geralmente julga-nos pelo que eles próprios são. sim, julgam-nos. e tu como me julgas? como me sentes?
sentes a minha solidão, amor? acreditas no meu amor? quere-lo, meu amor?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

# 16

meu amor, por que não descobriste os passos do nosso encontro?

os teus olhos continuam vendados? os teus pés atados?

e o teu coração, meu amor? onde está?

domingo, 24 de dezembro de 2006

# 15

amanhã é noite de Natal.
amanhã será tarde.
a tarde. a véspera. tu.
agarro o meu coração quando te vejo. tão belo. tão...
as palavras embargam-me. só fico olhando, olhando, plena de ti.
para mim?!
oh deus...
basta-me ser a tua princesa, meu amor.
vou. daqui a pouco. ter contigo,
ter connosco.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Tu, poeta


Tu, és poeta. Eu, apenas mulher.
E os poetas amam as mulheres com as palavras.
E as mulheres amam as palavras dos poetas. Porque
as palavras são o próprio poeta. São a sua carne, a sua pele.
Porque sem palavras não existia o poeta, não
existias. Tu, poeta. E eu, mulher, sem ti, não existo. Porque
não sou palavras. Que ames. Sou, apenas uma mulher
para te fazer amar as palavras. Talvez uma mulher
que ames para amares mais, ainda mais, as palavras.
Eu, mulher apenas, meu amor poeta.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

# 13

preciso-te.
estou parada. à espera. como tantas vezes na minha vida. por vezes parece-me que nada fiz mais do que estar a uma janela esperando. e nada vir ter comigo. esperar tanto que deixava de esperar, e só estava. ali. de início nada vendo, depois observando o que vinha e o que ia. movimentos. a movimentação dos outros seres normais. a movimentação das estrelas. o movimento da lua sobre o horizonte. sobre as casas, sobre o mar. nunca tocando. nem eu nem o movimento. uma espécie de pairar sobre a vida, sobre o mundo. esperando... no fundo, esperando a morte me levar.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

# 12

estive a reler as cartas que me escreveste, durante meses e meses. durante a nossa ausência. para mim, são as tuas cartas de amor. talvez não as chames assim. eu sinto-as. disse-te, e sem confirmares, não desmentiste. sentias amor, meu amor, e escreveste palavras poemas. por vezes bastava uma só palavra e eu sentia-a amor. e eu amava-te silenciosamente. quase como agora, escrevendo-te palavras ocultas. palavras menores do que o que sentia. porque o sentir é silêncio. como por vezes é grito que ecoa por todos os mares, que voa com todos os ventos.
oh, meu deus, como te amo! não preciso que me digas nada... não digas nada, amor. deixa-me só olhar para ti. ficar a olhar para ti. penetrar-te. ser penetrada pelo teu olhar. ficarmos eternamente... ternamente no olhar um do outro. como um íman. aproximando-nos lentamente... lentamente... fundindo-nos. meu amor.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

# 11

apetece-me fugir. quero fugir do que penso. quero deixar de lutar. comigo mesma. por ti. quero sentar-me a um canto sem que a cada instante o pensamento me magoe. eu já não sei o que sei. por vezes julgo uma coisa, para logo pensar o contrário. é de loucos. é de dor. muita dor, amor. também eu fujo. não sei se de mim, se de ti. de nós?
as palavras, as palavras que doem, que magoam. a sua ausência. das minhas, das tuas.
e aqui me refugio. fugidia. fugitiva. de ti, de nós, do mundo.
sem coragem para lutar, só lutando comigo própria... always... always...
atada, amarrada. e querendo tanto, tanto a liberdade. de te sorrir, de te falar, de te amar.
presa na minha alma. presa no corpo inexistente sem voz, sem pele.

ouço as tuas palavras. como se estivesses a milhares de quilómetros. vagas, incertas. é comigo que falavas? se é, porque não falas olhas para mim. ou o teu pensamento está tão longe como pareces estar. hoje. contenho-me. mais uma vez e outra e... aperto o meu coração. aperto os meus olhos. retenho as lágrimas. para fora. mesmo recusando, vejo-as cair, escorrer dentro de mim. ao menos que fossem amargas e eu me tornasse amargura e me virasse contra o mundo.
sou invisível? sou? sou-te, amor? as perguntas não são do amor. ou são? não tenho eu direito de perguntar? tenho de aceitar tudo? mesmo aquilo que não quero?
o que eu quero?
o que eu quero, amor?

domingo, 17 de dezembro de 2006

# 10

"se te perco
que me fica?"
(idem, p. 279)

ontem e anteontem e antes de anteontem pensei. pensei-o. mas,
perder? perder-te? como poderia, se estás em mim. não me perderei de mim. nem do sol nem da lua, nem da flor, nem do pássaro cantor.
perder? se não te quero agarrar.
nem posso dizer que te quero amar. sinto-o, meu amor. sinto-te amor.

# 9

Que nada são os dias e os anos
para um tão grande amor que vou pintando
com o próprio sangue os meus e teus enganos
que há de nascer que há de florir que há de
e há de e há de quando?

(M. Dionísio, 1965)

passam os dias, passam as noites. o mesmo que dizer as horas, os minutos, os segundos. passam anos, também. e no meu rosto, as rugas. quando me vires, quando me vires mais uma vez, meu amor, verás na minha face as marcas da tua ausência. tenho os riscos que eu colori a negro. de mortes e vidas sucessivas. nada tinha de acontecer. tudo tem de acontecer.
longe dos olhares do mundo, mesmo do teu, amor, é o lugar de florir, o lugar de ser.
porque eu acredito. acredito-te. acredito-nos.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

# 8

escrever. escrever. porque as palavras são urgentes. explodem em mim como fogo de artíficio. dizer-tas sem as escutares. dizê-las porque é necessário serem ditas. não as palavras, mas o que elas sentem. o que elas sentem por mim. o que sinto através delas.
longe.
não existe distância. não nesta minha ânsia. apenas num estender da mão ao tocar-te. o meu tocar não é breve. é carícia, prolongada por todos os milímetros da tua face. num olhar que se afunda e funde no teu.
meu amor. meu amor.

# 7

estás aí, meu amor? eu sei que estás. imóvel e silencioso. silenciosa e imóvel, também eu. não são preciso olhos para nos olharmos. tu estás. eu estou. tu escreves. eu escrevo-te. um dia atrevo-me? quando é o nosso tempo? qual o nome do tempo que será nosso? o tempo da chuva. o tempo do sol. o tempo dos tempos sem tempo. o tempo da árvore derrubada. a hora da lua diurna. o tempo das amoras. o tempo do amor.
o tempo das águas em nossas bocas, amor.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

# 6

queria entender-te. queria saber-te. não, na verdade, queria sentir-te. sentir-te. sentir o teu olhar. para onde olharás? para onde andarás, meu amor?
a tristeza em mim, fazes-me falta, amor.
ainda julguei que hoje cruzaria com o teu olhar. que te daria a mão. foges, como dizes? se ao menos fugisses, se eu o soubesse, saberia também que sentirias algo, e eu te diria, não, seguraria a tua mão, poria a outra mão sobre os teus olhos, e tocaria ao de leve os meus lábios na tua boca, murmurando, não tenhas medo, meu amor.
ou dir-te-ia,
também eu tenho medo, meu amor.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

# 5

amanhã... hoje.
escrevi-te amor com as palavras que soube dizer-te. com as letras a m o r, separadas por tantas outras, juntas por aquilo que sinto. por ti. por mim disse-o. por ti ofereci-to. mesmo que...
adormecerei, meu amor, no sonho de ti.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

# 4

nasceu o dia. olho para o espelho enquanto me lavo. olho e vejo-te. sinto a tua presença. não me volto. poderia até fechar os olhos. estás. comigo. em mim.
não sorrio. ainda não. o meu coração sente-se demasiado receoso. talvez não tenha razão. mas é certo que se sente trémulo. perante ti. singelo. e eu nua.

# 3

é nesta noite do meu silêncio que te beijo. que te amo silente. como uma menina. e amanhã, quando acordar, irei... irei sempre para ti, tu que me prendeste o coração. vou para as terras de sonho, contigo, amor.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

# 2

pensei que eras tu a bater à porta. quando abri já não lá estavas. mais uma noite sózinha. mais uma noite em silêncio. eu fada de um livro de histórias. infantis. de gente, para gente que sabe sentir.
quando abri, afastava-se um desgraçado. um espectro do passado. não, não quero falar disso aqui. este é o meu lugar de tranquilidade. perto de ti. feito do presente. feito de presentes que te vou dando. dia a dia. momento a momento.

domingo, 10 de dezembro de 2006

a primeira baga

espero-te. livre e presa. em mim. não em ti. não porque nada sei de ti. se não fosse aquela imagem longínqua nem saberia dos teus olhos. quero gritar meu amor. aqui não vou apagar. é um compromisso comigo mesma! nada apagarei. serei pura como a água de uma nascente. brotarei. para mim, para ti, e de nós crescerá a flor. e nascerá a rosa. com as pétalas mais macias que a pele de um recém-nascido. serei flor selvagem, não túlipas ou orquídeas, flores caras e rebuscadas, serei uma papoila, uma urtiga. serei fruto silvestre, bagas. bagas vermelhas, carmim, roxas, liláses, azuladas. e por que não verde, amarela, castanha, cinzenta? raramente branca ou preta. estas não são minhas cores, são ausência ou somas. eu nunca só sou uma, sou eu e o meu complementar.
"Não sei onde te vi nem quando. Não sei se foi num quadro ou se foi no campo real, ao pé das árvores e ervas..."* Não sei se alguma vez te amei, não! sei que anseio por ti, e choro porque te calas. e um breve gesto teu é um sorriso no meu rosto. sei que quero pousar a minha mão na tua face. e acariciar os teus olhos. e tocar a tua boca. sei. sei que sinto esta força no meu peito. sei que me falta o respirar. que me pesa este respirar longe de ti. sei, não com o pensamento. sei-o no meu corpo. sinto-o na pele que se extira e se desprende quando te sinto dentro de mim.
meu amor. neste lugar surdo, eu digo-te . eu chamo-te, meu amor.

(*) Livro do Desassossego, Bernardo Soares