domingo, 29 de abril de 2007

. 50 .

a última baga

adeus, meu amor.

hoje senti amor por ti
por ti, de que só sei o nome

senti que te poderia amar

amar-Te

senti que se tu me chamasses
- se me tivesses chamado, meu amor -
hoje teria ido ter contigo

adeus, amor meu
eu não sei amar só à noite
eu não sei amar de acordo com os ponteiros dos relógios
ou com outras quaisquer convenções.
eu só sei amar, amor.
sim, encontraste a palavra: arrebatadoramente

se eu tivesse ouvido a tua voz
sentido os teus braços
se...

se tivesses feito rir o meu coração
- como gostava de ter a minha mão no teu rosto
desvendá-lo
des-vendar-te
os teus olhos, a tua boca,
desvendar-te

por instantes acreditei... confiei...

vês?, custa-me deixar-te...
gosto-te, já te gosto tanto
e no entanto... se assim não fosse... poderíamos ser felizes? amar-nos?
o que poderíamos dar-nos?

não importa, meu amor
esta é a última baga...

a última das bagas que, depois de a beberes, se evolará...
dói-me o peito e o corpo, acredita...

obrigada por teres vindo
adeus, meu amor