segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

# 24

estendo a minha mão em direcção a ti. ao teu rosto cabisbaixo. olho-te. se me olhasses agora vias os meus olhos. sinto-os ternura. ternura doce. ternura cor rosácea de bago de romã. ternura líquida de um sumo mel. mel como a cor da tua barba. fina. toco-a. acaricio-a tão ao de leve que mal a sentes. ou sentes, meu amor? não há desejo, apenas esse toque. percorro com o olhar esse pedaço de rosto. detendo-me em cada fio. e o meu olhar é uma carícia que ao mesmo tempo te beija. estás tão perto, tão perto de mim, meu amor. estás em mim, amor. aproximo a mão. a tua pele. macia. percorro a linha do teu rosto. a tua pele amor. na minha. a pele da mão a pele da tua face. a pele una. a minha mão toma o gesto do teu rosto. curvo. não sei se és tu que levantas a cabeça se é a minha mão que a ergue. são os nossos olhos que se encontram. somos nós, amor. nós.