sábado, 13 de janeiro de 2007

# 26

chama-me, meu amor.
chama-me pois já não encontro o caminho. os meus passos estão presos. as minhas mãos duras de tanto se abrirem. volteio e revolteio. estonteada. e de repente caio. caio num abismo presa apenas por um qualquer fio que me suspende à vida.
também eu percorro um corredor imenso labiríntico sem portas, com portas que se fecham, com portas que se emparedam. ou eu que me emparedo?
já fui pérola do teu colar e teu berço, teu cálice onde bebias sofregamente, eu sei. também eu te bebia. te chorava. me inundava de ti. já fui pérola, e conta, e bago de amora. já fui... onde estou eu, meu amor? quem sou eu, amor meu?