quinta-feira, 5 de julho de 2007

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vi-te anteontem. finalmente conheci as linhas do teu rosto. foi estranho. seria sempre estranha a materialização de uma imagem sem face. não te imaginava assim. tinhas-me dito que eras um puto. e eu acreditei... eu acredito sempre... e rio-me.
sabes também se riram quando eu disse que achavas que eu era demasiado séria...
rio-me : como estavamos enganados, meu querido.
estavamos?

reparei nas tuas mãos e apeteceu-me conhecê-las de perto...

não voltarás aqui, pois não, amor?!...

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the story of my life...
once again... and again...

domingo, 1 de julho de 2007

1.7.

ontem, meu amor, ontem senti-me zangada com o mundo
tão zangada
(senti-me tu : senti-te como nunca : senti-me só)
zangada : acelerando : música alta
se o mundo aparecesse todo, condensado à minha frente : inútil e mau : tinha espetado o carro contra ele. esmagava o acelerador e matava-o : acabava
acabava com a dor que sentia
e finalmente não me fazia chorar.
se o mundo aparecesse - como me aparece - ali nu, todo desamor
e eu ali nua, amor, meu amor,
e eu ali nua e raiva e
no ruído abafando, tapando, tapando, tapando até quase explodir
como desejei a explosão a destruição o fim

e no fundo era tão simples - é tão simples, não é amor? -
acabar com a dor
quando só se quer
respirar
amor