sexta-feira, 18 de maio de 2007

*

"És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
..."

ontem depois de falarmos lembrei-me desta frase-poema quando pensei em ti, amor. hoje ... também... surge assim sem mais... tu. sem qualquer juízo de valor... melhor? o que é ser melhor? o que é acharmo-nos melhores ou não tão 'melhores' do que achamos que poderíamos ser? isso torna-nos piores? ou pelo contrário, melhores? melhores ou piores, por o saberemos, por o sentirmos? e o que fazemos com essa consciência? com essa lucidez? ... talvez muito, talvez nada... talvez consigamos apenas... Ser!


"...
Graça do corpo nu
Que invisível se vê."*


vi o teu sim, o teu não, nus... vi, senti. e nada compreendo. compreendendo. entendes?
magoada?! zangada?! porque havia de o ficar? retirei-o por mim... por estar exposta. por ti, também, porque apesar de não compreender, sinto. sinto que... encontrei-te talvez(?) no meio de um sonho qualquer (teu). e tu encontraste-me no fim de um meu. eu sei que é preciso sonhar os sonhos até ao fim. não há culpas. não há intenções. não há mágoas, amor... momentos diferentes? timings... (?)
'vai à tua vida'... eu estou na minha vida, meu amor. e agora fazes parte dela. do meu sonho. não é uma prisão... é um facto. é um sentir. podemos deixar-nos ir... num sentido, ou no outro. está nas nossas mãos. ou nas tuas. ou nas minhas. nada é inevitável. a não ser que queiramos que seja. não gostaria que te sentisses 'mal'...
como se pode recomeçar a sonhar sentindo-nos mal?!
"este meu fascínio por ti... é porque"... não, eu não sei porque é. não creio que possa ser porque não te conhecer. eu sei que pode ser tudo, e portanto, isso também. mas então e o resto? o resto que de ti senti?
há a "barreira"-corpo... a minha. a tua. há! (a minha insegurança...face... às tuas expectativas...) e as minhas expectativas? eu vi o teu 'outro lado'... sem contexto, claro, mas senti. fragmentos de ti... não os reuno (se não costumo reuni-los com quem con-vivo no dia-a-dia, porque faria contigo?)... não os reuno porque sei que os outros são diferentes de tudo o que possa sentir... que são 'iguais' a como os sinto.
não posso apenas 'receber'? não estou dizendo, receber-te (só se quiseres dar). uma das coisas que tenho aprendido um pouco é receber apenas o que o 'mundo' me dá... (aprendizagem difícil, nem sempre bem sucedida) o que o meu olhar consegue ver e nada mais (o pensamento perturba, torna artificial o que é puro)... não há mágoas... apenas há.
posso chorar, posso amar, posso ficar momentaneamente magoada (ou antes, sentir-me ferida)...
mas chorei, ri, amei... é o que importa.
não ser amada? importa? importa para nós mesmos? (hoje não falarei disso...)... ou talvez seja esse o fulcro(?)... de ti... de mim... (não de nós, meu amor... não ainda, não jamais... de nós. não nos façamos isso)

vejo que estás online... poderia estar horas... contigo aqui... vou ter contigo, amor.


*F. Pessoa... é o que dá ele ser universal... :-)