segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

# 11

apetece-me fugir. quero fugir do que penso. quero deixar de lutar. comigo mesma. por ti. quero sentar-me a um canto sem que a cada instante o pensamento me magoe. eu já não sei o que sei. por vezes julgo uma coisa, para logo pensar o contrário. é de loucos. é de dor. muita dor, amor. também eu fujo. não sei se de mim, se de ti. de nós?
as palavras, as palavras que doem, que magoam. a sua ausência. das minhas, das tuas.
e aqui me refugio. fugidia. fugitiva. de ti, de nós, do mundo.
sem coragem para lutar, só lutando comigo própria... always... always...
atada, amarrada. e querendo tanto, tanto a liberdade. de te sorrir, de te falar, de te amar.
presa na minha alma. presa no corpo inexistente sem voz, sem pele.

ouço as tuas palavras. como se estivesses a milhares de quilómetros. vagas, incertas. é comigo que falavas? se é, porque não falas olhas para mim. ou o teu pensamento está tão longe como pareces estar. hoje. contenho-me. mais uma vez e outra e... aperto o meu coração. aperto os meus olhos. retenho as lágrimas. para fora. mesmo recusando, vejo-as cair, escorrer dentro de mim. ao menos que fossem amargas e eu me tornasse amargura e me virasse contra o mundo.
sou invisível? sou? sou-te, amor? as perguntas não são do amor. ou são? não tenho eu direito de perguntar? tenho de aceitar tudo? mesmo aquilo que não quero?
o que eu quero?
o que eu quero, amor?