# 22
2º motivo da rosa
Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas.
E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!
Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...
Cecília Meireles, dedicado a Mário de Andrade
Se eu pudesse amar uma rosa, meu amor
se tu fosses essa flor,
iria ao jardim todos os dias
ver a chuva beijar-te
- e se não houvesse, levar-te-ia água e beijos -
sentada num daqueles bancos
amando-te
em pianissimo silêncio
Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas.
E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!
Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...
Cecília Meireles, dedicado a Mário de Andrade
Se eu pudesse amar uma rosa, meu amor
se tu fosses essa flor,
iria ao jardim todos os dias
ver a chuva beijar-te
- e se não houvesse, levar-te-ia água e beijos -
sentada num daqueles bancos
amando-te
em pianissimo silêncio
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