tanta coisa tenho para te dizer, meu amor.
meu amor é sim teu nome, sem o seres (ainda?)
e tanto te falei... hoje, ontem...
sabes amor? tenho sentido o meu corpo despertar lentamente. estranho-o. estranho, num quase absurdo de ele se inquietar às palavras. às tuas. como se elas me percorressem. não apenas dos meus olhos até... não, aqui e ali, elas percorrem-me. toda. e ao escrever isto, sinto-me corar. por uma certa timidez que me acompanha. por uma espécie de sedução. sedução - minha - pelo meu próprio sentir, sedução por ti. não julgues amor que faço aqueles jogos vãos. o jogo é da verdade. amar é também seduzir. ser seduzida. porque há entrega. e querer. e desejo.
estavas certo, amor. eu aqui é que estou nua.
estavas certo, amor. quando disseste Tara amor.
só aqui sei ser amor. absoluto. arrebatado. uma espécie de corpo e alma. unidas.
uma espécie de parte que se oculta de tudo... de quase tudo.
um lugar onde nua, amo.
como quem respira.
e lá fora, amor?
lá fora, levo Tara comigo, como um coração que bate sempre. só entre-visível.
não porque não haja amor. mas porque este amor é diferente.
é amor.
entendes?
sentes? sentes-me, amor?
sinto um tremer interior ao escrever isto. saber que vais ler... e...
e o desejo...
e o que é o amor senão desejo de sermos descobertos, contemplados em todos os nossos recantos. o desejo de irmos descobrindo recantos do nosso amado? um desejo de reconhecimento... tu em mim... eu em ti... reconhecimento, não identidade.
e por vezes, tu és eu e eu tu. e eu amo-te.
e outras. tu és tu. e eu amo-te.
é tão fácil. tão simples, não é amor?
não, não penses. eu também pus aqueles pensamentos todos de lado.
sinto.
o desejo de amor é também o amor.
o amor da necessidade de revelação.
o amor do desejo de confidência.
de se ser tudo... o que se dá, visível ... o que se oculta sob véus. leves.
e nesta ânsia de entrega, o abismo.
a atracção de um precipício... o desejo e o medo, meu amor.
o medo de nos darmos... despidos.
de me dar despida.
e de tu não poderes amar/entender/sentir este etéreo corpo de Tara. aqueloutro corpo de L.
este meu corpo. todo. eu e eu e...
e também eu tenho medo... de não poder amar este teu corpo, R.
e o outro de H. e todo tu.
e no entanto, que boba, sinto-o. por ti. e por aquele tu, mais... extrovertido(?)... e por ti, todo(?) saberia?
sinto-o agora. em mim. tão profundamente que as minhas faces estão quentes. e o meu coração bate intranquilo.
sinto-o tanto. neste dar-me. a ti.
não foram só 6 os posts que escrevi por ti. aqui.
perguntaste duas vezes sim. e eu respondi-te. logo, meu amor... a cumplicidade...
mesmo Sabendo-nos... é por vezes tão difícil ler nas entrelinhas... mesmo nas nossas próprias...
também eu não sei o quê, amor. mas sei que quero...(-te?)