que faço eu aqui? com que falo hoje? hoje que as palavras são tão necessárias e não me ouvem.
tu ouvi-la-ás, não sei como mas sinto que me guias. como me vêm à memória todas as palavras que me disseste quando eu precisei de ti. chamava-te e vinhas, e eu contigo falava, falava, abria o meu coração, falava do meu amor, meu amor. contei-te coisas que nunca tinha contado a ninguém. e tu dizias que era linda. e eu acreditava. eu dizia que também eras. que eras. e nós acreditavamos porque era assim que nos sentíamos, era assim que nos víamos, eu a ti, tu a mim. ainda hoje. ainda hoje é como te vejo. e verei para sempre, minha baga, minha rosa vemelha.
foi paixão. tu o disseste. querias-me toda, só para ti, até sentires a saciedade. até te saciares, depois, depois podias ir, deixar-me, para mais tarde nos voltarmos a encontrar. lembro. lembro de tudo. da nossa dávida. do nosso amor. do encontro.
são tão difícil os encontros nesta vida. nesta vida tão efémera num mundo tão imenso. e nós encontramo-nos. e pudemos tudo. quase tudo. e é nesse tudo que eu penso quando te sinto. tão presente. tão em mim. e no entanto... é tempo de sonhares, vai, voa, com todo o meu amor, minha baga silvestre.