domingo, 17 de dezembro de 2006

# 9

Que nada são os dias e os anos
para um tão grande amor que vou pintando
com o próprio sangue os meus e teus enganos
que há de nascer que há de florir que há de
e há de e há de quando?

(M. Dionísio, 1965)

passam os dias, passam as noites. o mesmo que dizer as horas, os minutos, os segundos. passam anos, também. e no meu rosto, as rugas. quando me vires, quando me vires mais uma vez, meu amor, verás na minha face as marcas da tua ausência. tenho os riscos que eu colori a negro. de mortes e vidas sucessivas. nada tinha de acontecer. tudo tem de acontecer.
longe dos olhares do mundo, mesmo do teu, amor, é o lugar de florir, o lugar de ser.
porque eu acredito. acredito-te. acredito-nos.